Odete Ferreira é licenciada pela Universidade do Porto,
em Línguas e Literaturas modernas,
variante em Estudos Portugueses e Franceses.
Exerceu funções docentes, cargos pedagógicos e diretivos.
Está aposentada, sendo membro da Assembleia Municipal, eleita como independente.
Editou pela Corpos Editora o seu livro de poesia Em Suspenso,
é coautora em várias antologias de poesia e prosa e é uma ativa participante em
eventos culturais na sua cidade, Mirandela.
... Foto Wikipedia ...
Logo que percorri o seu blogue fiquei sua devota leitora,
posteriormente descobri que é uma pessoa deliciosamente simpática,
como só as grandes sabem ser.
~~ A uma ausência não querida ~~
Naquela saudade feita urgente
Olhar da tua imagem preenchido
Coração escrito no poente
Sinto a tristeza do tempo partido.
Ladra de uma ausência não querida
Porfio a minha mágoa no meu rio
Revejo instantes da tua partida
E abraço lembranças em desvario.
Ondulante sobrevoa meu sorriso
Em águas magoadas me fixo
Estilhaçada minha alma te envio.
Dilacera-me a dor résteas de siso
No peito trago um crucifixo
Arranca-mo e bebe meu ser bravio.
~ 2014 ~

~~ E assim se fica nos dias de descanso ~~
Preparam-se bem os dias de descanso,
como se fora poda, o ano inteiro.
Das rosas bravias apara-se o cheiro
pois que, no claro olhar a cor se enfeita
e o colo do abraço os picos rejeita.
No afã dos dias que cansam a noite,
os sonhos tardam a clareza das manhãs.
Sacia o rio os ímpetos da pele,
doura o sol alto as dunas do peito,
tempera o mar a fadiga do tempo
e o sono acalma a ânsia do corpo.
Fazem-se felizes as memórias dos cantos,
os gorjeios, os roncos e os pregões.
Comem-se apetitosos os lautos pratos
que, de tão simples, aprestam os sentidos.
E assim se fica nas horas de descanso,
bastando o arco-íris em seu jeito manso.
~ 2016 ~
~~ Mira(n)dela ~~
Há um espaço que me é pertença,
me vestiu na casa térrea,
me alimentou à nascença...
Límpido é, então, o meu olhar
purificado no batismo das águas correntes,
ribeirinhos paridos de nascentes
nos montes onde se cumprem as urzes
e as giestas festejam o tempo
e os tempos me apuraram
o palato, o olfato, o tato...
Não me sei de outro modo,
não sei a cor de outro amor
e tampouco a cor de outra pele.
Esta fez-me filha, mulher, mãe.
Natureza pródiga em cores e sabores,
terra a abrir-se às rosas
temperada de néctares
onde os deuses se deleitam
em orgasmos de poemas...
Poema, princesa, grinalda de flores,
rainha minha e Tua,
rio que me arrepia,
palavra perdida de amores...
Ah, se me soubesses tua
fazias-me filhos que ficassem.
Por ti, com amor, sem dor.
~ 2016 ~
http://portate-mal.blogspot.pt/
(((((((o)))))))o(((((((o)))))))o(((((((o)))))))
~ Fontes das fotos - B - C - D
Clique numa, para obter a galeria.