~~ Marisa, retirado do DVD 'Concerto em Lisboa' ~~
* Há palavras que nos beijam *
Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca Palavras de amor, de esperança, de imenso amor, de esperança louca. Palavras nuas que beijas Quando a noite perde o rosto, Palavras que se recusam Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas Entre palavras sem cor, Esperadas, desesperadas, Como a poesia ou o amor. (O nome de quem se ama Letra a letra revelado No mármore distraído, No papel abandonado) Palavras que nos transportam Aonde a noite é mais forte, Ao silencio dos amantes Abraçados contra a morte.
Alexandre O'Neil - 1958
~~ Por Ana Maria ~~
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~~ O poema declamado ~~
03 abril 2024
~~ A MAIOR ''PIRUETA MARCELINA'' ~~
*Mariza (emocionada) - 'Gente Da Minha Terra' ao vivo em Lisboa*
~~ Celebrando a revolução, sem sangue, há 47 anos ~~
~~ Em balada de Coimbra ~~
Trova do Vento Que Passa - Serenata Monumental 2015
Manuel Alegre de Melo Duarte, nascido em Águeda a 12 de Maio, está prestes a celebrar o seu 85º aniversário.
Uma longa vida dedicada às Letras. Cursou Direito na Faculdade de Coimbra,
onde participou em atividades culturais. A sua vida como defensor de causas: resistente à ditadura, exilado, ativista, escritor, poeta e político socialista; é conhecida por todos os portugueses... Foi galhardoado com todos os prémios de literatura nacionais, o Camões em 2017.
No parlamento, ou na comunicação social, foi uma voz que sempre se ouviu em defesa dos valores de Abril, nomeadamente, pelo direito à igualdade.
... O poema Trova Do Vento Que Passa, foi escrito no seu exílio em Argel ...
~~ Um exílio de 10 anos, onde continuou a sua luta pela democracia. ~~
))) Declamado pelo Poeta (((
~~ Acompanhado por Carlos Paredes ~~
Foi dos seus poemas que se popularizou na voz de intelectuais, como Zeca Afonso
e Adriano Correia de Oliveira, ou cantado por outros artistas populares da época. Amália Rodrigues interpretou-o em fado, no ano 1970.
Dia de Portugal, de Camões e das comunidades portuguesas
... No centenário de Amália Rodrigues ...
No ano transacto comemorei com Sophia Andresen no seu centenário, este ano volto
a comemorar com Camões, como gosto, porque este é o seu Dia... Se bem que os seus
poemas líricos fossem escritos para serem lidos, Amália Rodrigues cantou alguns com
bastante sucesso, com músicas do compositor Alain Oulman. Porque também levava
Portugal às comunidades portuguesas, passando muitas vezes este dia com elas,
que é pertinente ouvi-la, pela excelência do seu canto e por jus ao seu centenário.
))) A poesia de Luís Vaz de Camões em diferentes géneros e formas (((
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... Género épico ...
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... OS LUSÍADAS ... Lusíadas, Canto I - 19ª estrofe (Início da narração)
Já no largo oceano navegavam, As inquietas ondas apartando; Os ventos brandamente respiravam, Das naus as velas côncavas inchando; Da branca escuma os mares se mostravam Cobertos, a proas vão cortando As marítimas águas consagradas, Que do gado de Proteo são cortadas.
... Género lírico ...
))) S O N E T O (((
~~ ERROS MEUS, MÁ FORTUNA, AMOR ARDENTE ~~
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Erros meus, má Fortuna, Amor ardente
Em minha perdição se conjuraram
Os erros e a Fortuna sobejaram,
Que para mim bastava Amor somente.
Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.
Errei todo o discurso de meus anos
Dei causa a que a Fortuna* castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.
De amor não vi senão breves enganos.
Oh! Que tanto pudesse que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!
))) V I L A N C E T E (((
~~ PERDIGÃO PERDEU A PENA ~~
Mote Perdigão perdeu a pena, Não há mal que lhe não venha. Voltas
Perdigão que o pensamento Subiu a um alto lugar, Perde a pena de voar, Ganha a pena do tormento. Não tem no ar nem no vento Asas com que se sustenha: Não há mal que lhe não venha. Quis voar a uma alta torre, Mas achou-se desasado; E, vendo-se depenado, De puro penado morre. Se a queixumes se socorre, Lança no fogo mais lenha: Não há mal que lhe não venha.
*Fortuna, nessa altura, significava sorte...
O Vilancete poderá suscitar a ideia de composição popular, mas na realidade era poesia
palaciana. Dado o mote, habitualmente por uma dama, apreciava-se o engenho de compor
as voltas, ou seja, desenvolver o tema proposto, que por vezes adquiria forma espirituosa.
A vida do nosso Poeta Maior é o melhor exemplo de como a inteligência e talento podem
ser uma terrível e abominável maldição, pela inveja rancorosa e maligna que despertam.