~~ À POESIA, À ÁRVORE E À FLORESTA ~~
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* Pela Arte: Arquitetura, Artes cénicas, Dança, Escultura, Fotografia, Literatura, Música, Pintura...
~~ À POESIA, À ÁRVORE E À FLORESTA ~~
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A minha mãe achava estudo a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão, ela falou comigo:
''Coitado, até essa hora no serviço pesado'',
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor. Essa palavra de luxo.
Adélia Prado
~~ Mãe de cinco filhos
«Adélia Luzia Prado de Freitas (Divinópolis, MG, Brasil, 13 de dezembro de 1935)
é uma poetisa, professora, filósofa, romancista e contista, ligada ao Modernismo.
Considerada a maior poetisa viva do Brasil.» -- Citação da Wikipedia
Prémio Machado de Assis - 2 024
Prémio Camões - 2 024
))) Aos 88 anos de idade (((
A Língua Portuguesa é a mais falada no hemisfério sul e a Língua Materna do extenso
Brasil. Lamento que Adélia Prado, de talento reconhecido cedo por Deummond de Andrade,
com vasta e variada obra, só tenha sido premiada ao mais alto nível, com 88 anos de idade.
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O Dia da Mãe é uma celebração familiar, onde se distingue o profundo Amor incondicional
que nem sempre é absoluto. Há mais filhos do que se pensa que escondem a falta de amor
materno com muita dor, vergonha e trauma. Também acontece o vice-versa.
É nestes dias que mais recordamos as mães dos países pobres
e dos países em cruel guerra.
A cada Amigo, um abraço da minha melhor cordialidade.
** TRIBUTO À ARTE POÉTICA **
~~ À POESIA, À PRIMAVERA E À ÁRVORE ~~
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| ~~ A ARTE POÉTICA ~~ |
«A poesia não me pede propriamente uma especialização pois a sua arte é uma arte do ser. Também não é tempo ou trabalho o que a poesia me pede. Nem me pede uma ciência nem uma estética nem uma teoria. Pede-me antes a inteireza do meu ser, uma consciência mais funda do que a minha inteligência, uma fidelidade mais pura do que aquela que eu posso controlar. Pede-me uma intransigência sem lacuna. Pede-me que arranque da minha vida que se quebra, gasta, corrompe e dilui uma túnica sem costura. Pede-me que viva atenta como uma antena, pede-me que viva sempre, que nunca me esqueça. Pede-me uma obstinação sem tréguas, densa e compacta»
>>> Sophia Mello Breyner Andresen <<<
~~ Fernando Pessoa ~~
~~ António Gedeão ~~
~~ Cecília Meireles ~~
~~ Ramos Rosa ~~
~
~~ Balada para Adeline ~~
Foi criada por Paul de Senneville, para celebrar o nascimento de sua filha... Paul, jornalista,
tinha o dom especial de criar música, sem a saber escrever -- chamam-lhe melodista -- ele
trauteava, gravava e entregava a escrita a um músico. Foi convidado o, então, jovem pianista
Richard Clayderman para compor um arranjo harmonioso, doce e suave como se pretendia.
Foi imediatamente um grande sucesso musical que catapultou a carreira dos autores, levando-
-os à fama e estrelato... Decorria 1976... Adeline, bebé, ficou célebre.
* Vendo-a sorrir *
~~ DIAS EXCELENTES E EMOCIONANTES ~~
~~ 50 ANOS DE LIBERDADE! ~~
«Esta é a noite/ Densa de chacais/ Pesada de amargura» -- Versos de Sophia Andresen
Deixo o meu testemunho, para quem não vivenciou a ditadura...
Hoje, falo-vos de delação e do medo numa sociedade realmente perturbada.
Todos sabem que a PIDE (polícia int de defesa do estado) prendia e torturava todos que
se insurgiam contra a prepotência do regime. Acontecia frequentemente que se ocorresse
uma conversa de desabafo num café, aparecia a PIDE, com os seus carros e levava tudo
para o xadrez. Foi assim que o doce do meu primo de 15 anos passou uma noite na prisão.
Isto acontecia porque, por todo o lado, havia delatores... Em cada café, em cada povoado,
ou associação, havia colaboradores da PIDE, que criavam um clima de suspeição e receio.
Premiava-se a delação, a polícia impunha-se pelo medo numa sociedade triste e insegura.
Continua...
MajoDutra
~~ A MAIOR ''PIRUETA MARCELINA'' ~~
Portugal vive uma situação política incrivelmente singular! O Sr Presidente da
República deu posse a um governo em que ninguém acredita e do qual resulta
Portugal adiado por quatro anos. No discurso, (Oh, admirável sagacidade!) diz
que será complexo, como se o mais simplório dos portugueses não soubesse!
~~ Cancioneiro Joco-Marcelino ~~
Decorria 1989, concorria-se ao ilustre cargo da presidência à Câmara Municipal
de Lisboa. A disputa bipolarizou-se entre Jorge Sampaio, líder da bancada PS,
conhecido das lutas contra a ditadura e o candidato de direita Marcelo Rebelo
de Sousa. A luta foi renhida, do lado de Marcelo formou-se uma AD o que levou
J Sampaio a uma coligação com o PC.
Marcelo sentia-se em desvantagem por ser menos popular do que o adversário,
então, pensou numa série de 'golpitos' publicitários a fim de se dar a conhecer.
Natália Correia era deputada, a vate não resistiu ao seu poderoso estro e compôs
vários poemas satíricos que classifica como jocosos, acompanhando os 'golpitos'
de Marcelo que denomina de ''traquinices, piruetas e travessuras''... Com eles
compilou o Cancioneiro Joco-Marcelino. É dele, o poema que cito. Nesse tempo,
antes da construção das grandes ETARs, o rio Tejo era extremamente poluído,
Marcelo arriscou a saúde para mostrar o seu vigor e que ''faz política com alegria''
!!... Não se livrou de uma hepatite, como revelou mais tarde. ~~ O vídeo ~~
~~ Marcelo e as Tágides ~~
Marcelo, em cupidez municipal
de coroar-se com louros alfacinhas,*
atira-se valoroso – ó bacanal! –
ao leito húmido das Tágides* daninhas.
Para conquistar as Musas de Camões
lança a este, Marcelo, um desafio:
jogou-se ao verso o épico? Ilusões!...
Bate-o Marcelo que se joga ao rio.
E em eleitorais estrofes destemidas,
do autárquico sonho, o nadador
diz que curara as ninfas poluídas
com o milagre do seu corpo em flor.
Outros prodígios – dizem – congemina:
ir aos bairros da lata e ali, sem medo,
dormir para os limpar da vil vérmina
e triunfal ficar cheio de pulguedo.
Por fim, rumo ao céu, novo Gusmão
de asa delta a fazer de passarola,
sobrevoa Lisboa o passarão
e perde a pena que é de galinhola.
Natália Correia
Marcelo dormiu num bairro de lata, mas nesse dia resolveu ir ao circo. A Comunicação
Social apenas relatou que esteve no circo e meteu a cabeça na boca duma leoa...
... Conclusão ...
O Professor Marcelo Rebelo de Sousa continua a fazer política abusando do recurso
ao populismo baseado em 'golpitos', as piruetas imortalizadas pela preclara Poeta.
Perante a vil denúncia de corrupção por parte do I Ministro, em situação de crise
política, vê chegada a hora de servir o seu partido e toma decisões sem consultar
o Conselho de Estado... (Era a hora, pensou!)
Dá posse a um governo de dois anos e vai avisando que é complexo, que não dispõe
de tempo para promulgar as medidas prometidas na campanha eleitoral, como se
não tivéssemos já percebido o desastre, ou seja, trata-nos por mentecaptos.
Esta é a minha traquinice porque me parece justa e oportuna.
MajoDutra
Cancioneiro Joco-marcelino, Antologia poética, Dom Quixote - 2018