sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

~ ADVENTO.


              Dezembro
Quem me acode
à cabeça e ao coração
neste fim de ano,
entre a alegria e a dor?

Que sonho,
que mistério,
que oração?

Amor.
Drummond de Andrade                 

                  Natal
Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Era gente a correr pela rua acima.
Uma onda de festa. Palavras a saltar.

Eram carpas ou mãos. Um soluço uma rima.
Guitarras, guitarras.Ou talvez mar.
Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.

Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia.
No teu ritmo nos teus ritos.
No teu sono nos teus gestos. (Liturgia, liturgia)
Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos.
E nos silencios infinitos. Na tua noite e no teu dia.
No teu sol acontecia.

Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia)
Todo o tempo num só tempo. Andamento
de poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia.
Na cidade lavada pela chuva. Em cada curva
acontecia. E em cada acaso. Como um pouco de água turva.
na cidade agitada pelo vento.

Natal Natal (diziam). E acontecia.
Como se fosse na palavra a rosa brava
acontecia. E era Dezembro que floria.
Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.
E era na lava a rosa e a palavra.
Todo o tempo num só tempo: nascimento de poesia.

  Manuel Alegre              
         

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

FRUTOS SECOS.





No tempo em que abundam os frutos secos...

Nesta época, há um consumo exagerado de guloseimas - enormidades calóricas -
 confeccionadas com grandes quantidades de frutos secos e açúcar refinado...

Estes frutos devem fazer parte duma alimentação saudável, ao longo do ano.


Em Portugal, designamos como frutos secos, tanto os frutos desidratados,
 como as sementes de frutos de pericarpo seco - por oposição a carnudo.
São estas sementes que vou focar hoje, pois as suas amêndoas são ricas em nutrientes importantes, especialmente, sais minerais e óleos essenciais.
Não se confundam com os óleos perfumados, denominados essenciais
por serem provenientes de essências de plantas.
Estes são classificados como essenciais, por não poderem ser fabricados
pelo nosso organismo e, por serem indispensáveis ao nosso equilíbrio vital.

São lípidos monoinsaturados e polinsaturados - ómega 6 e ómega 3.

As amêndoas das sementes dos frutos secos são, em geral, ricas em óleos
 monoinsaturados - do mesmo tipo do azeite - e de óleos polinsaturados ómega 6.


Apenas as nozes europeias contêm ómega 3 e em ótima quantidade.
(Também se encontra nas sementes de abóbora, linhaça e chia)
Por ser um óleo essencial raro, deve-nos merecer maior atenção.
pois a relação deve ser de 2/3 - duas partes de ómega 3, para três partes de ómega 6.

 Devem ser consumidos frescos, com as amêndoas fechadas no seu tegumento rígido
- os óleos oxidam com muita facilidade -
e comidas cruas, porque o aquecimento altera quimicamente estes lípidos.
transformando-os em gordura saturada.
Infelizmente aparecem no mercado torrados e, por vezes, demasiado salgados,
tornando muito difícil o seu consumo ao natural.


Todas as sementes contêm quantidades apreciáveis de ferro e cálcio, assim como
outros sais minerais, como potássio, magnésio, fósforo, zinco, selénio e outros.
A castanha do Pará contém tanto selénio, que basta uma unidade diária
para suprir as necessidades do organismo. O selénio em excesso é tóxico,
na quantidade certa, é um excelente protetor cardíaco, assim como a vitamina E,
que sendo lipossolúvel, está contida nestes frutos.


~~ * ~~
Perante as dúvidas registadas nos comentários, esclareço que as quantidades ideais são
 um punhado diário de frutos secos variados para o Ómega 6, com uma castanha brasileira
e, para o Ómega 3, quatro nozes nos dias em que não come peixe gordo.
Estes lípidos são importantíssimos para a manutenção da saúde
pelo que, aconselho a leitura que recomendei.

Fontes das fotos
A - B - C -D E

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

~ FADO


V Aniversário da elevação - pela UNESCO - a
Património Oral e Imaterial da Humanidade
O comité reuniu-se no Bali, de 22 a 29 de Novembro, de 2011,
contudo, ainda não temos um dia nacional do fado,

ao contrário da Argentina, que além do Dia Internacional do Tango,
também tem um Dia Nacional do Fado, desde 2014...





Um dos dezoito fados que David Mourão Ferreira criou para Amália Rodrigues.
Com música de Alain Oulman.


~ ~ ~ Madrugada de Alfama ~ ~ ~




Com David Mourão Ferreira.

Com Alain Oulman.
Poema ~ X
Fontes das fotos - A
Portal do fado - B - C

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

FÍGARO!

     
    Apontamentos  de Bom Humor    


Da ópera «Il Barberieri di Siviglia» de G  Rossini,

a ária «Largo al Factotum» mais conhecida por Fígaro.



Em desenhos animados de 1944



     Tradução  


quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Canção Napolitana










Mais uma vez, Elvis usou uma bela música napolitana para um dos seus sucessos.



Traduções

I       II
~ Nota ~
Desejo que não aconteça nenhuma desgraça à «bella Italia»...
Tinha o 'post' pronto para publicar, quando o seu solo tremeu...
Reeditei-o no dia em que se deu o segundo terramoto.
Logo que soube, retirei-o...
Ei-lo novamente.
~~ * ~~

E aconteceu mesmo, desta vez, muita chuva e inundações...
De qualquer modo, os italianos adoram esta canção napolitana
 que serve de 1º degrau a um bom tenor.

VIVA A ITÁLIA!
~~ * ~~ * ~~ * ~~

Fontes das fotos.
~~~ A  - -  B ~~~

terça-feira, 22 de novembro de 2016

ALDA LARA





Este apontamento biográfico, é consequente do que iniciei - aqui.
Na altura, apenas apreciava sobremaneira a poética da autora, porém,
fui tomando conhecimento de episódios da sua vida que me despertaram a atenção.
Cruzei muitos dados, para conseguir esta interessante sinopse que
 espero que vos agrade tanto, como me agradou a mim.
Tendo terminado o seu curso secundário no Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho, 
Alda Lara iniciou o curso de medicina e frequentou a Casa dos Estudantes do Império,
em Lisboa, onde participou ativamente na animação poética de saraus e tertúlias.
Depois de umas férias em Angola, a poetisa casou-se com um colega de medicina,
Orlando de Albuquerque, natural de Moçambique, que também veio a ser escritor.
Mudaram-se para Coimbra, onde nasceram os seus quatro filhos.
Apraz-me saber que esta inteletual angolana, desenvolveu profundo asco
 pela política e ideais guerrilheiros, afirmando-se pertencer a um centro (político).
Abominava projetos violentos e a avidez e sede de poder.
Todos os seus esforços tiveram o objetivo de desenvolver o sentimento
 de angolanidade - que não existia minimamente entre as várias etnias -  atender
aos cuidados de saúde e elevar cultural e socialmente o povo angolano.
Apraz-me saber que, tal como este casal, houve inteletuais angolanos
que idealizaram uma forte luta pacifica pelos seus direitos e liberdade,
conquista essa que pouparia o povo de 40 anos de guerra violenta,
 - 13 de guerra colonial e 27 de guerra civil -
 e da atual vergonhosa oligarquia que domina um povo amedrontado,
ainda a emergir da miséria física e mental.



Benguela, foto de João Marcelo Souza

   Presença Africana  

Extrato do poema escrito       
  em Benguela, aos 23 anos.    
«E apesar de tudo,
ainda sou a mesma.
Livre e esguia,
fiha eterna de quanta rebeldia
me sagrou.
Mãe-África!

Mão forte da floresta e do deserto
ainda sou,
a Irmã-Mulher
de tudo que em ti vibra
puro e incerto!...

A dos coqueiros,
 de cabeleiras verdes
e corpos arrojados
sobre o azul...
A do desdém
nascendo dos braços das palmeiras...

A do sol bom, mordendo
o chão das Ingombotas...
A das acácias rubras
salpicando de sangue as avenidas
longas e floridas
...  ...  ...
Terra!
Minha, eternamente...
Terra das acácias, dos dongos,
dos cólios baloiçando,
mansamente... mansamente...

Terra!
Ainda sou a mesma!
Ainda sou a que num canto novo,
pura e livre,
me levanto,
ao aceno do teu povo!
Na íntegra - aqui        

Fontes
A -  B - C
Fotos do Pinterest

domingo, 20 de novembro de 2016

O DRAMA DE VENEZA




«Se gosta de ler muito, nada é tão grande como imaginou.
Veneza é - Veneza é melhor.
Fran Labowitz    
                                                                                  

« Se eu tivesse que encontrar uma palavra que subtituísse 'música',
 só consiguiria pensar em Veneza»
Friedrich Nietzsche    
                                                                                                                                                                  



Sem comentários...


O maior do mundo - Harmony of the Seas - 2016













Vídeos sem comentários.

   II    III 
  
Fontes
AB - C - D

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

RECADO



Charles Gounod - Glória


Saudosos abraços cordiais a todos.


De Cecília Meirelles
Poemas - 1951               

Recado aos amigos distantes
                                                                                                                                              
         




Meus companheiros amados,
não vos espero nem chamo:
porque vou para outros lados.
Mas é certo que vos amo.






Nem sempre os que estão mais perto
fazem melhor companhia.
Mesmo com o sol encoberto,
todos sabem quando é dia.




Pelo vosso campo imenso,
vou encurtando meus atalhos.
Por vosso amor é que penso
e me dou tantos trabalhos.






Não condeneis, por enquanto,
minha rebelde maneira.
Para libertar-me tanto,
fico vossa prisioneira.
  



Por mais que longe pareça,
ides na minha lembrança,
ides na minha cabeça,
valeis a minha Esperança.

      
 ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
~~~~~~~~~~ C.Meireles - Aqui ~~~~~~~~~


domingo, 13 de novembro de 2016

CREPÚSCULO DE OUTONO








Manuel Bandeira escreveu este poema na Suiça, em 1913,
 durante a sua estadia no Sanatório de Clavedel.
Aos 27 anos, não tinha idealizado para si uma carreira de escritor, porém
optou por compor poemas como forma de terapia ocupacional.
Regressou ao Brasil em 1914, com o início da 1ª Grande Guerra.
Foi em 1917, que publicou a sua primeira obra - A Cinza das Horas.
Os poemas são escritos dentro da prática habitual no Brasil
 dessa época - o estilo parnasiano-simbolista.
Este poema não tem nada a ver com o impressionismo, porém é seu coevo,
pois o novo conceito artístico já estava consolidado em Paris, Londres e USA.

Penso que a música também impressionista de Débussy, combina perfeitamente...
Embora assaz melancólico, o poema termina com uma nota
 de muita esperança que o torna belíssimo; dentro do seu estilo.
E o outono e a nostalgia fazem parte da vida...


Crepúsculo de Outono


Claude Monet - Automne sur la Seine - 1873

O crepúsculo cai manso como uma bênção.
Dir-se-á que o rio chora a prisão de seu leito...
As grandes mãos da sombra evangélica pensam
As feridas que a vida abriu em cada peito.

Auguste Renoir - Le pont d'Argenteuil en Automne - 1882

O outono amarelece e despoja os lariços
Um corvo passa e grasna, e deixa esparso no ar
O terror augural de encantos e feitiços.
As flores morrem. Toda a relva entra a murchar.

Claude Monet - Antibes vu de Salis Jardins - 1888

Os pinheiros porém viçam, e serão breve
Todo o verde que a vista espairecendo vejas,
Mais negros sobre a brancura inânime da neve,
Altos e espirituais como flechas de igrejas.

Camille Pissarro - Automne à Eragny - 1899 

Um sino plange. A sua voz ritma o murmúrio
Do rio, e isso parece a voz da solidão.
E essa voz enche o vale... o horizonte purpúrio...
Consoladora como um divino perdão.

Alfred Sisley - À Saint Martin - 1874

O sol fundiu a neve. A folhagem vermelha
Reponta. Apenas há, nos barrancos retortos,
Flocos, que a luz do poente extática semelha
A um rebanho infeliz de cordeirinhos mortos.

Camille Pissarro - Automne, Peupliers, Eragny - 1894 

A sombra casa os sons numa grave harmonia.
E tamanha esperança e tão grande paz
Avultam do clarão que cinge a serrania,
Como se houvesse aurora e o mar cantando atrás.

Edgar Degas - Paysage à Valery-sur-Somme

Edouard Manet - Banc d' Automne - 1881



Queridos amigos, com muito pesar,
vou ter que continuar em pausa.
Abraços afetuosos.

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